A região da Lourinhã está ligada à produção vitícola desde há muito tempo, como se pode perceber pela carta de Foral, dada pelo D. Jordão, com autorização do rei D. Afonso Henriques. Também se faz referência a esta zona em diversa documentação ligada à história da viticultura portuguesa.

A 7 de Março de 1992, o empenho e labor de tantos, juntamente com a elevada qualidade da aguardente, viu o seu mérito reconhecido com a publicação do Decreto-Lei nº34/92 que estabelece a Região Demarcada da Aguardente Vínica de Qualidade com Denominação de Origem Controlada “Lourinhã” (1) aquela que constitui a primeira e única região demarcada do país somente para produção de aguardentes. É uma das três regiões no espaço Europeu, em posição de igualdade com as célebres aguardentes Francesas, Armagnac (2) e Cognac (3).

“As nossas aguardentes são controladas pelo cumprimento e aplicação do regulamento que estabelece as condições dos solos, as características de cultivo e de tecnologias de vinificação, conservação, destilação, envelhecimento e engarrafamento que devem ser seguidas para que a produção obtida possa usar a menção DOC “Lourinhã” atribuída pela Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa criada pela portaria 739/2008”.

Ao longo de décadas todos os processos de dinamização e investigação, fez com que todos os processos que levaram à demarcação da região não tenham parado, antes pelo contrário, intensificou-se com o apoio da comercialização e divulgação da aguardente bem como o apoio à Investigação Científica dirigida às aguardentes, que tem vindo a ser realizado com a Estação Vitivinícola Nacional. São já várias publicações nacionais e estrangeiras, que contam com a colaboração de cientistas desta instituição que tem vindo a investigar sobre este tema ao logo dos últimos anos. Atualmente é chamado Instituto nacional de Investigação Agrária e Veterinária – Pólo de Dois Portos.

No concelho da Lourinhã as Freguesias que fazem parte da região demarcada da Aguardente da Lourinhã são as seguintes: Lourinhã e Atalaia (1), Ribamar (2), Santa Bárbara (3), Vimeiro (4), Marteleira e Miragaia (5), Moita dos Ferreiros (6), Reguengo Grande (7), Moledo e São Bartolomeu (8). As freguesias de Peniche contempladas são Atouguia da Baleia (9) e Serra d’el Rei (10), a freguesia de Óbidos é Olho Marinho (11), a freguesia de Bombarral é Vale Covo (12) e por fim a freguesia do Campelos (13) no Concelho do Torres Vedras.

Características Edafoclimáticas

As aguardentes são extremamente aromáticas por transmitirem o caráter das castas utilizadas, da região, das condições edafoclimáticas e também do fator humano. O terroir (relação entre o solo e o clima que confere propriedades únicas) desta região determina as características qualitativas, especialmente das aromáticas e sápidas presentes nos vinhos que dão origem à Aguardente DOC Lourinhã.

Clima e Solo

A região carateriza-se geralmente por baixas amplitudes térmicas e é fortemente influenciada pela proximidade do oceano Atlântico. O verão é por norma fresco a moderado, assim como o inverno tépido a moderado, com precipitação moderada e elevada humidade relativa. No verão é frequente o nevoeiro durante a manhã e raramente ocorrem vagas de calor. Esta zona constitui um clima temperado mediterrânico de feição atlântica.
O solo é heterogéneo e com baixa fertilidade, assim como praticamente em todo o Portugal continental. Regra geral as vinhas estão instaladas em solos mediterrâneos pardos ou vermelhos, normais ou para barros de arenitos finos, argilas ou argilitos e solos calcários pardos.

Castas Utilizadas

Aquando da criação da região demarcada ficou definido quais as castas que seriam as melhores para a produção de aguardente devido à qualidade dos vinhos que delas originava. De entre todas as castas autorizadas na região, os viticultores dão preferência àquelas de maneio mais fácil e que produzem vinhos de melhor qualidade. Assim sendo as castas com maior expressão são a Malvasia Rei, o Fernão Pires e a Tália.